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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O Principezinho: do livro para o cinema


Acho que é rara a pessoa que nunca leu O Principezinho. Lembro-me de o ter recebido bem novinha e não ter percebido nada. Hoje, é a única obra literária que li nas quatro línguas que sei: português, inglês, francês e espanhol e admito que de vez em quando volto a relê-lo e aprendo sempre qualquer coisa nova. 

Quando soube que iam lançar um filme baseado no livro disse logo que queria ir vê-lo ao cinema. Graças ao meu colega, que foi o director de dobragem do filme, ontem tive a oportunidade de ir à ante-estreia d'O Principezinho e saí de lá emocionalmente arrasada (btw, obrigada Pedro).


O filme conta a história d'O Principezinho com a intervenção directa d'O Aviador na história graças à Uma Pequena Menina. Quando a Menina (vamos chamá-la assim para salvar tempo), que já tem a vida totalmente traçada pela sua mãe, decide ouvir a história d'O Aviador, faz o primeiro amigo da sua vida e descobre o que é ser criança. 

Ao descobrir o quão estranho é o mundo dos adultos e a importância do amor e da amizade, a Menina vai aprendendo os valores mais importantes da vida através dos olhos do pequeno protagonista da história: o amor, a amizade, a perda e a importância de valorizar e não esquecer todos os momentos que nos formam.


Além da belíssima e muitíssimo bem conseguida interligação entre a história do livro e a criada para a adaptação cinematografia, um dos elementos mais cativantes do filme é a junção da animação 3D com stop motion. A alternância entre ambos os géneros é uma forma excelente e simples de ajudar o público mais novo a distinguir as duas narrativas sem prejudicar nenhuma delas.  

A banda sonora também não pode deixar de ser mencionada. A trama usa inúmeras faixas francesas que remetem imediatamente para original de Saint-Exupéry

Com as vozes de Paulo Pires (A Raposa), Joana Ribeiro (Uma Menina Pequena), Rita Blanco (A Mãe), Rui Mendes (O Aviador) e Francisco Monteiro e Pedro Leitão como O Principezinho, o filme tem uma harmonia fantástica e verdadeiramente mágica. Não é fácil um filme de animação colocar miúdos e graúdos a chorar baba e ranho (eu tive, literalmente, de conter a respiração para não começar a soluçar).


Portanto preparem-se para um filme com uma história emocionante e uma animação inacreditável. Não, a sério. Levem lenços. Não estou a brincar. 
Não tenho dúvidas que se irá tornar num grande clássico da animação. Sem dúvida que empatou com o Song of The Sea como um favorito fora do universo da Disney. 

Não se esqueçam de, a partir de 3 Dezembro, ir ver O Principezinho.

Curiosos com o filme? Gostam do livro? 

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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Cinderela: o segredo está na animação



Finalmente vi o tão aclamado filme Cinderela. Como fã assumida da Disney devem estar a pensar que andava doidinha para ver a adaptação life-action da animação, mas estão enganados.
Na minha opinião há coisas que devem permanecer animadas para 1. não caírem no ridículo e 2. não ganharem conotações mais sérias numa temática dirigida ao público infantil. Na minha opinião este filme acabou por sofrer nas duas frentes.

Como não quero começar a criticar como se fosse uma entendida, vou começar por dizer que adorei a performance de todo o cast. Achei a Lily James a perfeita pãozinho-sem-sal-demasiado-boazinha que faz da Cinderela, bem... a Cinderela. O Richard Madden foi excelente a caracterizar o charmoso-que-até-mete-nojo Príncipe e a Cate Blanchett como Madrasta Má foi irritantemente brilhante. Aquela cena em que a Cinderela a vê no terraço? Fantástica! A Helena Bonham Carter estava no seu habitat natural a interpretar a excêntrica e esquecida Fada Madrinha. Além disso acho que o Derek Jacobi está de parabéns por fazer da personagem do Rei uma peça marcante em pouquíssimo tempo de antena. Resumidamente: trés bien na escolha do elenco.


Relativamente à história foi quase 100% fiel à versão animada de 1950 (o cocheiro era um cão, não um ganso, sim?) e, curiosamente, é aqui que o filme perde. Todas as cenas que são mágicas na animação, na life-action perdem um bocado o sentido. Achei a transformação do vestido super pirosa, os lagartos-homem uma tristeza e o pobre Gus-Gus e companheiros uma autentica atrocidade. Estas coisas são amorosas porque são animadas, os ratos são quase humanos, falam e parecem literalmente amigos da Cinderela. Aqui são ratos mutantes que não são nem ratos, nem personificações de amigos da protagonista. Sinceramente até me assustaram um pouco.


A crueldade da Madrasta Má, a Lady Tramaine, e das "irmãs", Anastasia e Drisella, também parece que se torna 200% pior nesta versão. Enquanto na versão animada ainda vemos a Cinderela a divertir-se com os seus amigos animais e a fazer pouco de Lucifer, aqui ela só sofre. Talvez tenha sido só eu a reparar nisto (porque não vi nenhuma review que o mencionasse) mas parece que ganhou dimensões que, na animação, ficam apenas subentendidas. Acho que faltou humor para contrabalançar o drama, algo que marca o registo da Disney. Tudo isto para dizer que, para mim, este filme não tem a magia da Disney. A magia que tem (magia no verdadeiro sentido da palavra) pareceu-me forçada.


O que fez o filme foram os figurinos e os cenários. Não vou estar a falar do icónico vestido azul porque já foi mais que debatido, mas os vestidos da Madrasta e das suas filhas para o baile eram lindos e caracterizavam perfeitamente as personagens. A dama elegante com um passado de sofrimento que busca um estilo de vida da alta burguesia para as duas filhas irritantes, estupidamente ignorantes e sem personalidade que acabam por ser uma cópia uma da outra e paus mandados da mãe. 


E claro, o vestido de casamento, provavelmente o melhor interpretado da história original.


Devo ainda fazer menções honrosas aos figurinos do príncipe e da corte. Penso que estavam muito bem pensados e detalhados. Vê-se interpretação de Sandy Powell nos figurinos e na sua translação da animação para o real foi muito bem pensada e, ao contrário da história, muito bem sucedida. 

Já viram o filme? Qual foi a vossa opinião? Concordam com a minha? 

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