Acho que é rara a pessoa que nunca leu O Principezinho. Lembro-me de o ter recebido bem novinha e não ter percebido nada. Hoje, é a única obra literária que li nas quatro línguas que sei: português, inglês, francês e espanhol e admito que de vez em quando volto a relê-lo e aprendo sempre qualquer coisa nova.
Quando soube que iam lançar um filme baseado no livro disse logo que queria ir vê-lo ao cinema. Graças ao meu colega, que foi o director de dobragem do filme, ontem tive a oportunidade de ir à ante-estreia d'O Principezinho e saí de lá emocionalmente arrasada (btw, obrigada Pedro).
O filme conta a história d'O Principezinho com a intervenção directa d'O Aviador na história graças à Uma Pequena Menina. Quando a Menina (vamos chamá-la assim para salvar tempo), que já tem a vida totalmente traçada pela sua mãe, decide ouvir a história d'O Aviador, faz o primeiro amigo da sua vida e descobre o que é ser criança.
Ao descobrir o quão estranho é o mundo dos adultos e a importância do amor e da amizade, a Menina vai aprendendo os valores mais importantes da vida através dos olhos do pequeno protagonista da história: o amor, a amizade, a perda e a importância de valorizar e não esquecer todos os momentos que nos formam.
Além da belíssima e muitíssimo bem conseguida interligação entre a história do livro e a criada para a adaptação cinematografia, um dos elementos mais cativantes do filme é a junção da animação 3D com stop motion. A alternância entre ambos os géneros é uma forma excelente e simples de ajudar o público mais novo a distinguir as duas narrativas sem prejudicar nenhuma delas.
A banda sonora também não pode deixar de ser mencionada. A trama usa inúmeras faixas francesas que remetem imediatamente para original de Saint-Exupéry.
Com as vozes de Paulo Pires (A Raposa), Joana Ribeiro (Uma Menina Pequena), Rita Blanco (A Mãe), Rui Mendes (O Aviador) e Francisco Monteiro e Pedro Leitão como O Principezinho, o filme tem uma harmonia fantástica e verdadeiramente mágica. Não é fácil um filme de animação colocar miúdos e graúdos a chorar baba e ranho (eu tive, literalmente, de conter a respiração para não começar a soluçar).
Portanto preparem-se para um filme com uma história emocionante e uma animação inacreditável. Não, a sério. Levem lenços. Não estou a brincar.
Não tenho dúvidas que se irá tornar num grande clássico da animação. Sem dúvida que empatou com o Song of The Sea como um favorito fora do universo da Disney.
Não se esqueçam de, a partir de 3 Dezembro, ir ver O Principezinho.









