A fase da nossa vida que sucede o final do 12º ano é muito incerta, cheia de receios, ansiedades e noites em branco. Mesmo os que sabem que vão para a faculdade têm razões para ficar sem sono, "e se não entrar na primeira opção?", "será que vou para o curso certo?", "sigo a minha paixão ou um curso empregável?". No entanto, acho que os que sofrem mais são os que sabem (ou decidem) que não vão para a faculdade.
Quer seja por escolha própria, questões monetárias (tentem pedir bolsa antes de desistir), não saberem que curso seguir ou simplesmente porque é algo que não querem fazer, pensem que
há opções para quem não vai para a faculdade. Não é por não tirarem um curso superior que ficam resignados às caixas do Continente ou ao balcão de um café. Se é isso que vos deixa felizes, tudo bem, mas para quem tem aspirações maiores, o diploma não é garantia de nada.
Algumas hipóteses a considerar:
Voluntariado. Se o que vos está a impedir é não ter a certeza do que querem fazer da vida, o voluntariado pode ser uma escola valiosa. As vossas funções podem passar por tudo: organização, servir às meses, recepção, relações públicas, o que for. Aprendem a ser flexíveis, a trabalhar em equipa e, em alguns casos, até conseguem receber algum dinheiro. O voluntariado também vai ser uma mais valia no vosso currículo, que vos pode abrir mais portas que alguma vez imaginaram.
Workshops/formações/mini-cursos/conferências. Não seguir um curso profissional não significa que não se queira aprender mais. Há várias opções para aprofundar conhecimentos nas áreas que vos interessa ou explorar mundos novos que nem sequer imaginavam. Grande parte deste tipo de acções conferem algum tipo de certificado, que, mais uma vez, vai ser bastante útil para o vosso futuro. Além dos workshops independentes, há vários tipos de formações que são "oferecidas" por universidades. A FCSH, por exemplo, tem uma
escola de Verão, com mini-cursos nas mais variadíssimas temáticas, e tem
cursos livres, que são cursos de curta duração leccionados como uma cadeira de um curso, algumas até em regime e-learning. Outras universidades com cursos de Verão são a
Universidade do Algarve, a
Universidade de Coimbra e a
Universidade de Aveiro. Há muitas mais que oferecem este tipo de formações, basta procurarem nas faculdades da vossa zona.
Dependendo ainda dos vossos interesses, procurem por cursos e formações nessa área. Há imensas escolas de moda e styling, cursos de maquilhagem e de designer de unhas, cursos de instrução de Zumba, as possibilidades são infinitas. Estes cursos não são inferiores a um curso da Universidade, apenas têm uma duração mais curta, uma temática mais específica e, em alguns casos, mais técnica, algo que é valorizado no mercado de trabalho.
Ps. Há certas instituições que oferecem cursos às pessoas inscritas no Centro de Emprego. Uma colega estava a tirar um curso super completo sobre Plataformas Multimédia no Cenjor através dessas regalias. Informem-se num CE perto de vós.
Trabalho "medíocre" em algo que gostem. A motivação pode levar-nos mais longe do que imaginamos. Falando agora na primeira pessoa, eu tenho a certeza que era capaz de ser feliz a trabalhar na Sephora, por exemplo. No entanto, sei que trabalhar em cafés me deixa infeliz. Provavelmente era capaz de ser "promovida" na Sephora porque gosto de aprender sobre beleza e maquilhagem, enquanto num café não aguento mais que 2 meses. Isto para dizer que, se gostarmos mesmo de onde estamos, não nos incomoda começar por baixo. Com motivação, esforço e dedicação, podemos tornar um trabalho num emprego. É difícil, sim, mas não é impossível.
Um exemplo motivacional: a prima de uma colega de universidade desistiu do curso começou a trabalhar numa Zara, foi promovida e teve de começar a ir para fora em trabalho. No final acabou por se tornar a Coordenadora de Vendas da Tommy Hilfiger. Dream big.
Criem projectos paralelos ao que sonham. Quem ser chefes de cozinha mas não têm dinheiro para um curso? Façam um canal do YouTube onde partilham os vossos pratos. Querem ser designers? Façam redes sociais para o vosso trabalho e exponham-no. Querem trabalhar no mundo editorial? Um blog é uma boa aposta. Sejam consistentes, não desistam e não tenham vergonha de partilhar!
Aproveitem o Verão. A praia é boa, mas esta também é a melhor altura para encontrar um trabalho temporário e explorar coisas novas. Não estou a falar apenas de vender bolas de berlim na praia. Muitas empresas recrutam pessoas neste tempo para fazer as férias dos seus empregados. Duas semanas como secretária(o), outras duas numa seguradora, uma quinzena na recepção de um ginásio. Aprendem coisas valiosas em todos os lugares que entrarem, aproveitem essa experiência. Quem sabe alguma das empresas gosta tanto de vós que vos chama no futuro?
Carreira Militar. Aposto que esta vai ser a sugestão que menos agrada, mas a verdade é que pode ser uma forma de fazer carreira, receber bem, ter regalias valiosas na saúde sem que a questão das habilitações literárias se meta no caminho. De tempos a tempos abrem concursos públicos no site da GNR ou da PSP. É certo que não é para todos, mas certamente será o futuro de alguém.
Candidatem-se a estágios. A candidatura é grátis e não perdem nada em fazê-la. Façam candidaturas espontâneas para lugares onde gostariam de trabalhar. Digam que vão tirar o café do Manuel Luís Goucha e no currículo aparece estágio na TVI. Procurem principalmente coisas regionais. Bibliotecas Municipais, cinema local, jornal regional, geralmente são menos picuinhas com os cursos e ganham experiência e currículo.
Não tenham vergonha das cunhas. O primo do tio do vosso avô disse que estavam a recrutar no Benfica? Passem-lhe o currículo. Não há problema em ter conhecimentos, o problema está em usá-los para ficar à sombra da bananeira sem trabalhar. Não sejam preguiçosos e ninguém vai dizer "ela só está aqui porque é sobrinha da ex-empregada do Jorge Jesus".
Façam um bom currículo. Trabalhem-no, personalizem-no, sejam irreverentes (mas profissionais). Às vezes a originalidade fala mais alto que qualquer diploma. Tornem-se únicos e indispensáveis. Enviem propostas ricas junto do vosso currículo. Criem um portefólio do que já fizeram. Vendam o vosso cérebro e as vossas capacidades, não o vosso percurso académico.
Não tenham medo de explorar várias áreas. Não ir para a faculdade não tem de ser uma limitação. Tanto que um curso não significa que têm um bom emprego garantido (a prova número um sou eu, olá amigos no desemprego!). Não significa também falta de ambição ou de sonhos. Façam o que é melhor para vocês, aproveitem oportunidades e tudo se resolverá.
Espero ter ajudado a, pelo menos, acalmar a vossas mentes. Há muitas possibilidades por aí, a universidade não é a única. Não se esqueçam ainda que podem ingressar no ensino superior a qualquer altura da vossa vida, esta escolha não é definitiva.
Acharam o post útil? Há mais alguma possibilidade que tenham em mente? Deixem nos comentários para quem estiver à procura de mais alternativas. ♡
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